Blog sobre minhas experiências como professor de Ensino Fundamental e Médio e divagações filosóficas a respeito
Quem sou eu
- Lawrence David
- Professor, Músico, Audiófilo, Cientista Político, Jornalista, Escritor de 1968.
domingo, 2 de janeiro de 2011
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
ENEM
Há 30 anos atrás o vestibular parecia condenado. Enquanto vivíamos o fim da ditadura e lutávamos por uma sociedade mais justa e igualitária, discutíamos como aquele governo podia ter se vendido tanto à ideologia norte-americana. Era possível, apesar de todos pagarem a conta, que só alguns privilegiados tivessem acesso à Universidade Pública? E os sistemas de avaliação, copiados da cartilha yankee que reproduziam a velha competitividade protestante-capitalista? Com o passar do tempo passamos a chamá-las de “questões do tipo objetiva” (falsa objetividade, por trás do enunciado e das alternativas, está a escolha do examinador).
Quando prestei a seleção pra UFRGS pela primeira vez, em 1985, o modelo “objetivo” estava predestinado a desaparecer e nos anos seguintes surgiram as questões discursivas no exame da Federal. Elas eram bem interessantes e, como exigiam a escrita, habilidade fundamental ao estudante, a seleção era melhor. Mas o Sistema não deu certo. Levava ainda mais tempo do que hoje pra corrigir as provas. O estado falido da Nova República sucateava as Universidades públicas. O retrocesso ao modelo antigo (pseudo) objetivista chegou pra ficar.
Ninguém podia imaginar que tempos bicudos viriam. A era FHC. O neoliberalismo globalizante bateu feio, e os mecanismos de responsabilização das classes menos favorecidas apareceram, mais uma vez, importadas do Tio Sam. A culpa não era do estado, que diminuía, murchava ao som de uma valsa triste, e ignorava as áreas sociais. Era dos funcionários públicos e, principalmente, dos professores. Eles eram os responsáveis pelos problemas de evasão, desistência e repetência que assolavam a educação do país desde sempre.
Sua ignorância, incompetência e corporativismo desenfreados tinham criado tudo aquilo. Aquela situação vexaminosa era nossa culpa desde sempre, para sempre. Então vamos medir isso. Medir? Alguém pode medir, de uma maneira mecânica, (pseudo) objetiva, ignorando as particularidades das culturas regionais, de uma forma unificada no país inteiro, contrariando as determinação da carta maior que é a LDB, o que os estudantes andam aprendendo? Isso é o ENEM, Essa tentativa de realizar um feito irrealizável, que é ainda mais injusto que o Vestibular por ignorar as diferenças.
Vi meio de fora essa discussão recente sobre o fim do Exame. Ele se tornou algo que nunca era pra ser. Eu sempre fui contra, mas aí vi os donos dos cursinhos pré-vestibulares defendendo o fim da prova porque o ENEM vem tomando o espaço deles desde que se criou o pró-uni. Há, há! O governo constrangeu as universidades a aceitarem o exame como critério de avaliação pra ingresso nas instituições. Os adolescentes de todo o país se voltaram ao fenômeno, a coisa toda cresceu até se tornar o monstrinho que está hoje …
Sempre achei e sempre acharei que o acesso a universidade é um direito de todos. Ninguém que contribua com impostos tem menos direito. Se não tem lugar pra todos, por que não sortear? (Ah, pode ser que tenha fraude no sorteio …) Ou será que o João da Silva, negro e que nasceu pobre e teve uma educação de baixa qualidade tem menos direito que o Maximiliano que estudou nas melhores escolas particulares? Os dois pagam o mesmo imposto proporcional à renda, imbutido na cesta básica, sacramentada pela propina nossa de cada dia … então os direitos são iguais. Sorteia.
Ou faz melhor: aumenta o salário dos professores, diminui a carga horária, bota todo mundo num mestrado ou doutorado, reduz os dias letivos, faz uma formação continuada e coloca os alunos nas universidades com as notas deles no Ensino Médio. Afinal, pra que serve o ensino Médio? Teria ele se tornado (pretensa mas infundadamente) um grande cursão pré-vestibular? Atentando pra impossibilidade de realizar tal tarefa, as particulares criaram o “terceirão”. Vamos fingir que estamos fazendo o que é impossível?
Enquanto debatemos sem respostas e sem certezas a inespecificidade do que estamos ensinando, os ricos galgam posições preparando melhor seus filhos em boas escolas pagas e adotando a educação integral. O que é público corre atrás disso tudo com as pseudo-avaliações ditando direções errôneas, competitivas e pouco solidárias, e só onde o Brasil não avança muito e profundamente, é na educação. Eu, continuo com minha incredulidade agnóstica. Fotografia by Inezita Cunha
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
Loucura
Mas será que o trem azul não passa mais por aqui? Menina, mas eu vim parar aqui porque eu pensei que ainda parava. Não, porque eu caminhei muito pra subir toda essa lomba, eu subi e desci escada, eu li mais de 500 livros, eu me instrui por 20 anos seguidos, eu estudei pra concurso, eu virei noites em claro, eu dormi um dia inteiro, eu lavei muita roupa, eu bati muito xerox, eu fiz show pra dez mil pessoas! Será que isso não vale estender a linha até aqui?
Mas o que que essa gente tá pensando! Que pode olhar pra mim como se eu fosse a mosca do cocô do cavalo do bandido de um filme B? Por que, eu tenho cara de cocô? Eles é que tem cara de merda! Eles fedem, e fedem muito! Eles não são amarelo, vermelho, verde ou azul. Eles são marrons ... Quando alguém diz que a verdade é aquela, eles acreditam que a verdade é aquela, mas se amanhã alguém disser alguma outra coisa, eles mudam de opinião rapidinho, tudo pra parecerem bonitos. Sim, porque eles se acham muito bonitos. Lindos, na verdade. Olha, eles vão todo o dia no cabeleireiro, e pintam as unhas de rosa. Roossaa! Há, há, há, há ,há ,há ,há. Não aguento mais não. Ver eles ali tão supridos de trens e eu aqui subindo, subindo e nunca chegando numa parada. Pelo amor de deus, presidente, estende a linha até aqui...
Proteção
Entro na sala e ponho a armadura
sem proteção, Jorge, ninguém segura
os gritos, vaidade, suplício sem fim.
Como foi, realidade, que ficaram assim?
Só me faz de palhaço, de trouxa sofrido,
educação de verdade? Não, me encontro batido.
Me acalma o remédio, prazer escondido,
nesse modelo arcaico, velhaco e falido.
Vou me mandar pra lua ou pra uma montanha
ou rastejar na lama, assim ninguém ganha.
Quanto tempo se perde em inútil barganha?
Pra que tanta verdade se tudo é mentira?
Realidade me faz de alvo e mira,
fugindo pro médico, para que eu me insira.
Fotografia por Inezita Cunha.
Fotografia por Inezita Cunha.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Não-lugares
Outro dia, em sala de aula, eu estava dando explicação sobre um assunto que eu considerava bem complexo e que exigiria atenção total dos estudantes. Os preveni sobre isso antes, e pedi que não me interrompessem para que eu não perdesse o fio da meada. Tudo bem. Prestavam atenção e, de repente, uma moça sentada quase na frente, virou meio de costas pra mim, abriu a bolsa e retirou um espelhinho, um batom e um estojinho. Começou a retocar a maquiagem, colocou o vermelho forte nos lábios e ajeitou o cabelo. Como que contaminada, sua colega logo ao lado sacou um esmalte e começou a pintar calmamente as unhas. A essa altura, já começaram a conversar enquanto executavam o serviço.
A turma nem deu bola. Eu de imediato, não consegui interromper, pois fiquei meio pasmo. Quando me dei conta do que se passava o cheiro adocicado do esmalte de unha já tomava a sala toda e provocava caras de enjôo, provavelmente, inclusive, a minha.
Um ou dois dias depois, em um início de período com as crianças, me esforçava para conseguir algum silêncio. Reparei que havia um menino conversando (ou cantando) baixo com um colega com enormes fones de ouvido “atarrachados” na orelha, alheio ao que eu tentava estabelecer. Simultaneamente, uma outra aluna estava praticamente deitada em cima de uma classe, dando gargalhadas enquanto mostrava a tela de seu celular a outras duas que riam junto com ela.
Não sou nada a favor de moralismo ou de criticar nossa cultura sob o ponto de vista de uma outra. Mas se um aluno fizesse isso no Japão, provavelmente seria suspenso e sua família poderia ser humilhada por não ter-lhe dado educação de como se deve agir em uma escola. É claro que os brasileiros são mais expansivos e naturalmente mais inquietos e ansiosos, mas somando o fenômeno celular-internet à vaidade incontrolável das patricinhas, chegamos à seguinte conclusão: qualquer lugar é lugar pra tudo, pois, com a importância dada ao mundo virtual, cada vez menos os lugares têm significado.
Tudo virou um grande Não-lugar ou Qualquer-lugar. Quando peço licença pra passar, meus alunos não só não entendem bem o que digo, como não se movem e ainda fazem cara feia. Além da pouca mobilidade dos “filhos de apartamento”, perderam a noção de que um determinado espaço se diferencia de outro pela utilidade. Quarto serve pra dormir e namorar, sala pra ler ou assistir televisão, cozinha pra preparar comida. Mas em qualquer lugar (todos, nenhum) se encontra o binômio celular-internet.
O mundo virtual é um lugar irreal fisicamente, só existe enquanto impulsos elétricos, imagens na tela ou na mente do usuário. E para a imaginação não há limites, tampouco fronteiras entre o que é e o que não é. O paradoxo é que a imaginação deveria ser libertária, mas nos escraviza no mundo real, que se transformou em um avatar do cyberspace, delimitando padrões de comportamento sem espaço para a criatividade. Nesse confuso mundo paralelo, qualquer espaço é possível, sempre através da mesma tela.
Por isso o comportamento inconsistente. Seja na aula, num bar, no shopping, no cinema, no ônibus. Pode-se fazer de tudo, viajar conversando e navegando, ir ao cinema e ficar falando ao terlefone e claro, se maquiar na sala de aula, tudo com o celular ao alcance da mão.
Foto by Inezita Cunha
Foto by Inezita Cunha
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terça-feira, 14 de setembro de 2010
Palavras
O pedaço menor de sentido, que acrescido de outros pedaços forma o todo de nosso pensamento. Dotadas de grande poder, ajudam a mudar realidades, sustentar regimes políticos e grandes ideologias, bem como iniciar e terminar relações amorosas. Em nosso drama diário são tudo o que conversamos, o conjunto de nossos monólogos, diálogos e principais pronunciamentos. Na educação elas são essenciais, criam e desfazem tudo, “minha pátria é minha língua” já disseram uns por aí, e, principalmente, tornam nosso devir diário terrível ou maravilhoso, dependendo das que ouvirmos ou usarmos.
Se queremos o sucesso como educadores precisamos, com meticulosidade, escolhê-las. Elas ganham o dia ou põe tudo a perder. Estou convencido que algumas atrapalham praticamente em qualquer situação em que apareçam. Criam nexos pejorativos em relação ao processo ensino-aprendizagem porque descumprem princípios básicos que são a elevação da auto-estima do estudante, a flexibilização dos limites do conhecimento de acordo com as possibilidade do aluno e, finalmente, a luta contra o preconceito.
“Repetente”, por exemplo, que é aquele sujeito que foi reprovado no seriado e está cumprindo a série inteira de novo. Ora, ele já está, de uma certa forma sendo punido injustamente porque é obrigado a cursar disciplinas de novo, muitas em que já foi aprovado, às vezes quase todas menos uma. Aí ele é estigmatizado como “repetente” frente aos colegas por alguns professores. Os mestres entre eles também se referem ao aluno por esse termo. É uma discriminação. E um atentado contra a auto-estima do estudante. Eu me gabo de nunca ter usado essa palavra, ao não ser mencionando-a para dizer que eu não a pronuncio. Mas talvez eu seja meio louco.
Agora, anda-se usando o “regular”. Esse aluno é “regular”. O que é regular? É um aluno que não é muito fraco, mas também não chegou na média (aliás, essa palavra 'média' já caducou, agora é melhor somatório). Tá, tudo bem, expressa uma certa ideia. Mas dizer que determinada pessoa de carne e osso é regular, é dar uma carimbada na lata e dizer que aquele lote não é dos melhores. Enfim, se um número já é classificatório e ruim, regular é uma espécie de palavra idiota que representa um meio termo entre o 0 e o 10.
Mas as piores de todas são as ideia-limitantes “matéria”, trabalho” e “conteúdo”. Essas são o veneno da Educação, no mau sentido. Olha, é uma crítica epistemológica ao sistema educacional que é muito auto-limitante e não propicia grande visão além ao seus participantes. O professor de matemática sabe muito de matemática mas nada de outras disciplinas. Matéria pressupõe algo palpável, mas quer algo mais abstrato que que o Ensino Médio no Brasil? Conteúdo significa que tem algo dentro, mas o conhecimento é organizado em grandes campos pra facilitar a compreensão da natureza e não pra separar os campos uns dos outros. Ele está à vista, ao alcance de todos para ser desvendado, vivido e não está dentro de nada. Triphalyum é um instrumento medieval de tortura que deu origem a palavra. Será que sofrimento tem algo a ver com educação?
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sábado, 28 de agosto de 2010
Adolescentes
Eles não conseguem parar de falar nem um minuto. Adoram beber litros de cocacola e comer quilos de chitus, deixando um rastro de cheiro de vômito e xarope por tudo. O máximo é um maclanche feliz, um tênis nike e uma camisa do time do coração. O celular tem que bombar, no mínimo com tv e tela com touch. Agenda com o número máximo de possíveis azaros do finde (cada fim de semana se prova dez) e os últimos sucesso de hip-hop, funk, pagode e sertanejo no mp3 pra impressionar em todos os estilos. No discurso, o máximo de clichês possível “tipo”, “tá ligado?” Uma resposta com furtivo sorriso pra sair de qualquer situação. Com a galera total desinibição, com os adultos nem um pio. São adolescentes.
“Eu preciso passar na casa da Kelly pra contar que ontem o Mauro me ligou pra dizer que quer ficar comigo. Finalmente, ele só fica com aquela mocréia da Valquíria. Se ainda fosse com a Adri que é legal. Me disseram que ele ficou com a Jéssica, aí eu não acreditei. Pô o cara ficou com ela e não ficou com a Malu que é a cara dela, mas bem mais magra e tava louca por ele? Não sei se eu fico com ele de pena das baranga que ele tá pegando, ou porque eu gosto um pouquinho do cara, mas eu acho que eu prefiro o Vitor Hugo.”
“Bah, o pai do Filipe falou que lá na fronteira tem um monte de game sinistro muito mais barato que aqui. Bah tem um game que tem lá que eu sou o recordista em todo o mundo, sabe? O Alex falou que se eu registrar esse recorde eles me chamam por e-mail pra ir lá disputar o concurso no Japão. Aí eu pedi pro Cleiton comprar pra mim, já que ele tá indo, a última versão do bagulho, porque eles não aceitam a versão antiga. Irado, né, cara, eu vou ser o melhor do mundo.”
“A minha mãe bate todo o dia na porta do meu quarto de manhã dizendo pra eu acordar cedo, arghh, ela não sabe que eu gosto de dormir até tarde?É só porque eu tô mal em matemática no colégio e a professora mandou chamar ela lá pra falar com a orientação. Disseram que eu trato a professora mal. Ai, que saco, agora a mãe fica toda hora me dizendo o que eu tenho que fazer, me diz umas três vezes por dia que eu tenho que estudar, que se eu rodar eu não vou pra praia. Que mala.”
“Acho que o Milico não tomou o gardenal dele hoje … há há há, que que é milico, não tomou teu gardenal hoje? Olha a cara dele, há há há, esse monte de espinha, as guria não querem nada contigo, milico, há há há, o milico vai tê que tira o atraso com as égua lá do sítio do tio dele, há há há, não, ele nem vai tirá o atraso porque a vida sexual dele ainda nem começou, ele tá com a mão cabeluda, olha ali, há há há, “OLHA AQUI, ELE TEM MESMO UM CABELO NA PALMA DA MÃO.”
“O que que estes caras lá de baixo querem, que eles vão amedrontar o meus camarada? Não vai tê pra eles não, vamo armá um barraco lá na porta do colégio. Ô, alemão, chama o Betinho e o Lucas lá em cima pra gente dá uma banda lá no colégio e dá um susto nesses moleque metido aí, meio burguês, nojento … eu vi um deles chegando com o cabelo molhadinho no carro do pai, um Corolla, tá bem de grana, tá frouxo, a gente ainda arruma uma parada, um troco pra nós. Chama lá.”
“Tu tem certeza que tu não tá gravida? Eu acho que não, quer dizer o exame deu negativo. Mas tu fez cedo demais, aí não funciona direito, eu acho que tu devia ir num médico. Tá louca, tu é mesmo minha amiga, e se a minha mãe descobre eu tô ferrada, ela ainda acha que eu sou virgem. Mas tu não para de vomitar desde ontem, assim tu vai ficar mal. Ah, eu sou bebi um pouquinho demais, eu acho que eu me abalei com a separação, até que o cara era bonitinho né? E tu transou com ele? Não deu, a mãe dele tava em casa e entrava no quarto toda hora pra mexer num armário que tinha os sapatos dela, e ficava me encarando. Ah, um cara que deixa a mãe fazer isso não é legal né. O Pior é que tinha cheiro de graxa naquele colchão dele … ai, eu acho que eu vou vomitar.”
“Ô, pessoal, será que eu posso dá a minha aula, vocês têm como parar de falar um pouco, por favor. Não eu não vou dizer as notas de vocês hoje. Eu sei que vocês tão angustiados mas não deu tempo de corrigir ainda. Não, não vou corrigir agora. Não, não dá pra ir ao banheiro agora, não, e também não dá pra ir ao xerox. Ô, moça, dá pra tu largar o tema de literatura, agora é aula de História. E vocês aí do fundo, é vocês quatro, dá pra diminuir a voz um pouquinho, pra eu não ter que forçar a voz. Eu já estou com um zumbido no ouvido de tanto gritar pra competir com vocês, assim vou ficar sem voz, hoje é só terça, eu dou aula até sexta e já estou rouco, tão vendo, como tá a minha voz? Ô, tu aí, tá ouvindo o que eu estou falando? E vocês dois, não dá pra ouvir mp3 durante a minha aula, essa é uma aula importante. Não de vocês eu não aceito mais desculpas porque já a milésima vez que vocês fazem isso. Sim, podem entrar … mas sem conversar, já tá difícil de iniciar a aula aqui. O que mesmo que eu tava falando?”
“Não, tu não vai sair hoje. Já disse que não. Não, não é só porque tu tá mal no colégio, mas é porque tu não me ajuda nada em casa. O que que te custa lavar uma louça e recolher as roupas sujas do banheiro? Dorme até tarde, come a hora que quer, não limpa nada e ainda fica brabo quando eu falo no telefone porque tu tá vendo televisão. Mas que desaforo! Chega! Tu não quer nada com nada, só pensa em vagabundear e trabalho que é bom, nada! 5 anos fazendo o ensino médio e ainda não te formou. Arranja uma mulher e casa, cria juízo e me deixa em paz, não aguento mais as tuas confusões, teu mau humor e a tua sujeira. Se não gosta dessas regras, vai morar lá com teu pai!”
Eles são sociais demais, consumistas demais, dependentes demais, tímidos ou caras-de-pau demais, irresponsáveis e distraídos demais. Falam, falam, falam pelos cotovelos, deixam a gente com stress auditivo. Dormem doze horas seguidas, sextas e sábados saem cedo e voltam tarde. Usam o celular até pra coçar a orelha e tão sempre pedindo dinheiro. Bom, há os que não se enquadram exatamente nesses esteriótipos, mas vão apresentar algum desses comportamentos eventualmente. Amar o que todos amam, dividir o que todos dividem, parecer o mais igual com os que ama possível, achar um micão ter que pagar um micão, ficar com alguém de vez em quando pra não virar um et. Cuidado com ideologias radicais em exagero, e não se esqueça de pensar um pouco no futuro de vez em quando.
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