Pague muito bem os professores. De preferência que eles trabalhem tipo, 20 horas por semana e tenham também tempo para ler, fazer cursos, ir ao cinema, ao teatro, levar a filha ao parquinho para andar de balanço, praticar esportes. Tudo bem, se for 40 horas, o cara, por dedicação exclusiva, ganhe tipo 50% a mais em cima do básico. Ah, e sem esquecer um tempo para uma viagenzinha.
Professor tem que ter, pelo menos, 3 meses de férias, por estar metido em uma das profissões mais estressantes, arriscadas e monótonas de todas. Corrigir 300 provas que envolvem 30 coisas diferentes dá um nó na cabeça e no braço de qualquer um. Estar sujeito a tomar rasteiras, receber empurrões, sofrer Cyberbuylling, ser atropelado na saída da escola por pais descontrolados, não é fácil. Ficar repetindo a mesma aula pra 5 turmas diferentes, uma atrás da outra, no mesmo dia ninguém merece.
Obrigar as mantenedoras a manterem um quadro funcional realmente capaz de dar conta do negócio, sem sobrecarregar ninguém, para que o serviço seja bem feito. Admissão de funcionários, só por concurso. Concursado exerce só a função do concurso. Que tenha pra tudo: Bibliotecária, Orientadora, Psicóloga, Supervisora, e até, professora. As escolas, (todas) têm que ter, direções eleitas pela comunidade, com cada voto valendo o mesmo.
Todas as Escolas têm que ter: Projeto Político Pedagógico, regimento, e sistema de avaliação autônomos, mas, não podem desrespeitar princípios básicos da carta maior que é a LDB. Aliás, precisa ser melhorada e algumas questões têm que ser mais especificadas do que na atual. Também não pode faltar, uma ótima sala dos professores, com sofás pra gente deitar entre um turno e outro, microondas, pia, ar condicionado, muitas cadeiras, pelo menos 2 mesas e poltronas. Não pode faltar sala de informática, anfiteatro, ginásio poliesportivo, ampla e atualizada biblioteca, um datashow e aparelho de som, dvd e computador em cada sala, tudo com acesso a internet banda larga. Muitas tvs, música ao invés de sirenes, cursos gratuitos de música, festivais de teatro, pintura e redação. E, claro, lindas festas.
As turmas não devem ter mais de 25 alunos, em qualquer nível do ensino básico, e 35, no médio e no universitário. É claro, têm que pagar mais professores, ampliar o quadro funcional para dar conta de mais essa tarefa. Acho que essa é particularmente importante hoje em dia pois quem está em sala de aula sabe o que é o nível de agitação dos jovens de hoje. Além do mais tem gente de todas as classes sociais lá, o que aumenta a tendência ao choque de culturas, brigas, pegação de pé, panelinhas, desunião, etc.
Passar a ver combate a drogas como uma consequência da sociedade opressora e não como causa dela. Tratar o viciado como doente e não como criminoso. Combater as drogas usadas pelos ricos mais do que as usadas pelos pobres, pois é aí que está o furo. E principalmente, pensar melhor a jurisprudência a respeito do assunto. Copiar os exemplos bem sucedidos e descartar modelos mal sucedidos peremptoriamente como o nosso.
Convencer a burguesia brasileira de que um povo bem educado é só lucro pra ela. Tá bem, se esse povo eleger alguém á esquerda, seus burgueses, vocês vão enriquecer mais do que com alguém da direita. Ah, se a gente fizer reforma agrária, vai ser melhor pra todo mundo, inclusive pra vocês.
Blog sobre minhas experiências como professor de Ensino Fundamental e Médio e divagações filosóficas a respeito
Quem sou eu
- Lawrence David
- Professor, Músico, Audiófilo, Cientista Político, Jornalista, Escritor de 1968.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Mudança
domingo, 1 de agosto de 2010
Volta

Voltar para aquilo do qual nunca saímos. Eis a dificuldade de encarar a volta. Vamos longe agora sem mais fugir. Vamos até o fim lutando baravamente, contra aqueles que nos importunam cotidianamente, geralmente por questões mesquinhas e sem importância e relevância para a sociedade. Geralmente motivos mais pessoais. Vamos lutar contra a falta de dinheiro, tempo, paciência, saldo bancário, esperança de significativa melhoria, esperança de melhorar o mundo com a ajuda de todos. Vamos dar alô a um grande BASTA nas coisas que estão erradas em nossa vida. Vamos consertar uma por uma, sem preguiça.
Caminhar vagarosa e atentamente para o descanso merecido, as festas, as férias lá perto do fim do ano. Sonhando a todo momento com a praia em que vamos estar, o cheiro da areia, o gosto sal, o cansaço à tarde. Aquela companhia que se faz distante, mais próxima, o cheiro, o gosto, a silhueta mágica. A saudade do que não veio misturada com o todo vivido em outras praias. Sentir a maresia é preciso, a cada instante na volta. Pra volta ser gostosa.
Dizer olá, beijar a todos, sentir a alegria de compartilhar o mesmo espaço, a mesma comida, as mesmas relações, solidas ou instáveis, matéria do dia-a-dia do nosso trabalho. Sempre tão quente, borbulhante e exigente. Lá vamos nós transformar a massa (cinzenta) em algo aceso, vivo, brilhante. Quem consegue mais nesse inicio? Quem conseguirá, nos primeiros dias chamar mais positivamente à atenção de nossos pupilos? Quem deseja e se esforçará para isso?
Quem merece estar aqui? Quem acha que já lutou (pra voltar) o suficiente em sua vida ou aqueles que tornam cada dia em uma constante (revira) volta em seu trabalho? Sim, porque mestre que não se revoluciona todo tempo não é mestre. Não é mestre aquele que apenas revive um pobre e tedioso repeteco automatizado e quase mecânico de suas próprias neuroses, transformando isso em aula. Se é que isso é uma aula. É preciso fugir disso, buscar sempre alternativas de socorro à carência, à falta de apoio ou reconhecimento de seu devir. Isso deixa nossa auto-estima lá embaixo.
Mas sobrevém sempre aquela vontade de mudar, achar novas e criativas maneiras de reinventar a rotina, principalmente quando se trata de educação, fenômeno no qual a criatividade é fundamental. Não podemos esquecer de improvisar com nossas virtudes, surpreender com nossos anseios e sonhos, como qualquer ser humano faz quando se trata de relações. Não há aproximação, e portanto aprendizado, sem a atenção devida e a abdicação respeitosa, sem a percepção de que somos como irmãos mais velhos conduzindo a nova geração a uma possível vitória sobre o difícil futuro que se avoluma à nossa frente.
Foto: Inezita Cunha
domingo, 25 de abril de 2010
Responsabilidade
Tudo o que acontece dentro de uma sala de aula, legalmente é, em primeira e última instância, responsabilidade do professor. Negligenciamos seguidamente nosso papel de responsáveis. Por descaso ou incapacidade. Por recalque ou falta de informação. Geralmente, garantimos para nós, apenas o que parece o fruto bom de nosso espaço, mas o mal também é um pouco nosso.
Aquele aluno desinteressado, é ou está assim por quê? Porque não conseguimos atrair sua atenção. Porque não gostamos do seu jeito e então não damos bola para ele. Porque ele não gosta de nós e nada fazemos para mudar isso. A princípio, somos os que devem ter mais capacidade de resolver esses problemas, somos profissionais ou não? Não dá pra fazer uma pergunta amigável a ele? Bater um papinho, ao invés de só despejar informação em cima dele? Dá, só dá. E aí podemos ser positivamente surpreendidos por algo mais interessante do que esperávamos desse “marginal” de nossa classe. Algo ele sempre tem de bom a nos oferecer, mas não nos julgamos responsáveis por isso.
Preferimos delegar à Supervisora, vice-diretora ou orientadora uma responsabilidade que é, em princípio nossa. Somos preguiçosos para isso. Arrastamos para fora de nosso espaço, por medo, insegurança ou falta de capacidade, coisas que nos pertencem e que nos poderiam fazer feliz.
Aí fica aquela pá de gente em segunda época (quá, quá, quá), ou melhor, nos estudos de recuperação. “Ah, mas não estudaram, foi por isso, eu não coloquei ninguém em recuperação, eles é que se colocaram”. Desculpe, isso é apenas parcialmente verdade. De nosso ponto de vista eles não se adaptaram à maneira como ensinamos. Temos uma tendência a culpar o aluno por tudo. Do ponto de vista deles eles talvez não venham entendendo o que tentamos ensinar-lhes. Poucos colegas ainda consideram essa assertiva como válida. E o pior é que eventualmente é a única coisa que explica o que aconteceu de fato. Melhor cumpriremos nossa função se admitirmos nossos erros.
Não dá mais para culparmos única e exclusivamente o mundo exterior, a realidade fora da escola e os alunos pelo fracasso escolar. Precisamos nos valorizar assumindo nossa cota de responsabilidade. Se os alunos evadem, precisamos atraí-los para a escola e não culpá-los, simplesmente, por evadirem. Não temos como mudar tal fato? Sim, podemos tentar, com certeza. Um professor sozinho não pode mais ser o único responsável pela reprovação do aluno. E se ele conseguiu avançar com os outros colegas, é justo o retermos só porque não evoluiu conosco? Não, claro que não. Vamos perdê-lo pro sistema privado ou para uma outra escola e essa injustiça cometida poderá comprometer até nosso emprego. Uma turma a menos por excesso de reprovação é que é antiético, e não insistirmos com um colega intransigente para que flexibilize seu ponto de vista. Mais que isso. Todo colega consciente tem o dever ético de lutar contra os abusos no uso do poder que nos é outorgado, essa sim, é uma missão ética. Essa sim é nossa verdadeira responsabilidade.
