Quem sou eu

Minha foto
Professor, Músico, Audiófilo, Cientista Político, Jornalista, Escritor de 1968.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

La Hire Guerra - Uma Decadência Anunciada

A grande notícia da semana no meio escolar foi o incêndio criminoso que destruiu a Escola municipal de Eldorado do Sul La Hire Guerra. Esse fato me deixou deveras chocado. Nunca pensei que algo tão catastrófico pudesse ocorrer em um lugar onde dei aula. E não foi por pouco tempo, foram quase sete anos! Deixei o La Hire em 2011 para trabalhar na rede municipal de Porto Alegre. Nos últimos tempos em que lá lecionei, 2010/2011, a Instituição já não tinha mais as características que possuía quando lá ingressei, em 2004: colegas dispostos, inteligentes e afetuosos, alunos bem educados, criativos e talentosos, salário relativamente alto se comparado com municípios vizinhos, boa organização administrativa e funcionários em número suficiente pra dar conta do recado. O que houve foi um lento processo de precarização e agonia a olhos vistos.
Pra começar, nossos vencimentos não subiram jamais além da inflação. Na prática, nossa grana foi mirrando, sem aumentos ou possibilidade de crescimento pois o assunto “greve” – único meio que disporíamos para lutar – sempre foi rechaçado pela maioria dos professores que morriam de medo da mantenedora. Nas reuniões – poucas – que havia entre os mestres e a Secretaria da Educação de lá, o assunto era proibido. O discurso era aquele surrado “tem que ter amor a camiseta, se dedicar, mas sem falar de salário”. Era assim mesmo, na cara dura. Com isso tudo, os oriundos de Porto Alegre – como eu e tantos outros bons colegas – fomos sendo obrigados a abandonar a rede em busca de um meio de sustento mais adequado. Eu acho que a mantenedora de lá nunca esperou ou quis preencher seus quadros com professores “metidos” como nós.
Mas havia, com certeza, colegas maravilhosos de lá, também, que tornavam a rotina no La Hire bastante interessante e agradável. Colegas igualmente legais assumiram os postos diretivos. O problema é que em Eldorado do Sul, a Democracia não existe na educação. Os diretores ainda são escolhidos pelo medieval método da indicação política. Isso não dá legitimidade às direções que comem eternamente na mão do poder centralizado, sem aproximação com a realidade social, política e econômica do local e, o que é pior, sem qualquer independência.
É certo que a cultura comportamental entre os jovens, e para os professores, vem se complicando nos últimos anos. A cultura Low Brow vem tomando conta das Escolas do Oiapoque ao Chuí, radicalizando as atitudes, destruindo valores e espantando pais e mestres com comportamento socialmente cada vez mais agressivos. Eldorado não sabe lidar nada bem com tal fenômeno. A formação dos professores de lá é inadequada, sem coerência metodológica ou curricular, e o que é pior, sem democracia, sem colher da base o que ela deseja. Portanto, totalmente ineficaz, motivo de riso por parte do professorado e chacota institucionalizada. Além disso, os quadros vinham se precarizando e as direções eram obrigadas a improvisar colocando professores em desvios de função, além de supervisoras e orientadoras em sala de aula. Não se preenchiam facilmente vagas nas escolas de Eldorado.
Também não havia nenhuma sensibilidade em reduzir o tamanho das turmas para facilitar a aprendizagem, ao contrário, o número de alunos por aula vinha crescendo.
Para reformas, tudo demorava uma eternidade. Dávamos aulas com portas arrebentadas, luminárias quebradas e dependuradas, falta de material, e depredação. Os alunos estavam numa fase, desorientados, em que depredavam tudo o que pudessem. Já havia ocorrido uma depredação em duas salas – de ciências e de artes – e me lembro que quebraram balanças, microscópios e vidros com pedras e cadeiras. Um dia fui trabalhar e haviam espalhado meus livros pelo chão e até roubado alguns. Nosso ginásio vivia cheio de cocô de pombas. A cancha de cimento externo demorou anos para ser implementada e não foi coberta como deveria ficando depredada e inutilizada antes mesmo de ser inaugurada. Plantávamos árvores a volta do colégio e elas sempre eram arrancadas.

Cheguei a um ponto de desespero pela situação em que tive um verdadeiro surto. A Escola que eu amava, onde fizera trabalhos maravilhosos de teatralização, música, uma escola que respirava arte, estava agora em franca decadência. Tive raiva, tive medo, tive pena da situação. Sinto saudades dos ótimos colegas que tive lá e dos bons tempos, 2005, 2006, 2007 e 2008. Em 2009, ainda tava mais ou menos legal. Sinceramente, sonho com o dia em que poderei voltar lá e sentir aquele clima maravilhoso que vivi em meados da década 00. Fica aqui meu lamento e minha esperança, porque sei que lá ainda tem muita gente boa.

domingo, 19 de junho de 2011

Besteiras

Por Lawrence David

Como os estudantes chegam para nós no Ensino Médio? Qual seu nível de leitura? Sabem se expressar por escrito claramente? Parece que não. Todos sabemos do pouco apreço da juventude de escolas públicas em geral pelo virtuoso hábito da leitura, afinal tão necessário para formarmos mentes intelectuais. Como eles realmente caíram no analfabetismo funcional, fenômeno que perpassa todas as classes e níveis de escolaridade, escrevem besteiras, porque não entendem o que leem. E escrevem exatamente o que entenderam ... Nos fazem ver o retrato da mente mediana da sociedade hedo-consumista dos novos tempos que se preocupa pouco com o conteúdo e já não sabe mais o que é forma.
Os extratos aqui contidos são absolutamente verdadeiros retirados diretamente de uma escola de ensino médio, 1ª Série, 1º Trimestre de 2011. Disciplina: História.

Pérolas 1: Pré-história.
Questão: destacar aspectos tecnológicos, econômicos e culturais dos grupos humanos durante os períodos paleolítico e neolítico. Caracterizar o processo de hominização.

...e suas culturas eteconológicas eram feito por eles mesmo á mão”
O Período Paleolítico, que pode ser considerado mesolítico até pelo fato de 'pertencerem' um ao outro”.
No neolítico a agricultura era bem farta mas no peleolítico já não era, o tempo no paleolítico não era tão bom.”
O Período paleolítico é um período mais 'antigo' e com menos tecnologias. Já o período neolítico é um período mais industrial.”
O Período paleolítico foi dividido em superior e inferior. O neolítico foi dividido em apenas ele mesmo, ou seja, não foi dividido.”
No pelolítico na religião eles eram politeístas, ou seja, acreditavam na vida após a morte, já no neolítico eles eram monoteístas, ou seja, não acreditavam em vida após a morte.”
Tecnologia na verdade não tinha muita, mas com a faca que como não sabiam do metal faziam com uma pedra batendo na outra.”
(Essa só podia ser gozação)”Quando iniciou o neolítico começaram as fabricações de moto-serras, um instrumento totalmente devastador ao meio ambiente, além de prejudicar mais as pessoas ...”
Naquela época a humanidade ainda era machista e não aceitava a mulher envolvida em negócios capitalistas.”
Arcada dentária coeficiente, polegar mais móvel … começou a andar de pé...”(sobre o processo de hominização).”Suas capacidades de raciocínio foram aumentando, fazendo com que a cabeça tivesse uma formação diferente”.
Com a descoberta do 'machado' teve a formação de braços e pernas e não mais quatro patas. Assim se tornaram mais ágeis para matar seus alvos, ou sua comida.”
O processo de hominização é quando as características de macacos vão saindo e as características de humano vão chegando.”
Deixamos de ser assim meio queixudos para assim como somos. Deixamos de ser irracionais como os bixos, pássaros … manuseando as coisas melhores.”
Os psicológicos foram ficando mais espertos, eles eram como macacos, tinham muitos pelos se engatinhavam já meio querendo pular.”(2010)
O processo de homificação foi um processo demorado e teve muitas descobertas a partir de um tempo. E todos começaram a se cuidar mais e viram que a era 'macaco' tinha acabado.”(2010)
Seu célebro aumentou por causa de seu avanço celebral.”
As cidades começaram a ficar mais urbanas.”
O sistema agropecuário se tornou uma das maneiras arquisitivas de ganhar dinheiro.”
A cultura na época dos neolíticos eram extremamente normais, pois eles tinha a cultura mais elevada. E a tecnologia era apenas a luz do fogo, sendo que eles usavam a pedra pra descobrirem o fogo.”(Meu deus, que confusão e enrolação!)
Na evolução biológica em relação aos hominídeos aconteceu mudaça vizíveis, pelos em seu corpo diminuiu, pois não era mais necessário, pois foi feito casacos... Ossos dentário diminuiu pois não era preciso com o coziamento dos alimentos... O jeito de caminhar ficou mais reto, mais enclinado.”
O homem começou a andar nas planícies, deixando de andar nas árvores.”
A mandíbula diminuiu pelo fato de termos melhores meios para esquentá-la e deixá-la macia.”
Se sedentarizavam mais cedo, morrendo mais rápido.”
A sociedade humana era chamada de nomads, cujo caçavam, pescavam e não tinha residência fixa.”
No paleolítico a sua arte era rodimentada.” (rudimentar)
No paleolítico eles não se vestiam com roupas normais...”(Eram anormais ...)
Os homens estavam se sedentarizando na agronomia.”

Pérolas 2: Egito e Mesopotâmia antigos, Fenícios, Hebreus e Persas.
Questão: destacar aspectos econômicos, religiosos e culturais dos povos supra-citados.

A Civilização da mesopotâmica, o comércio era a econômia.”
Sua base econômica era mantida na arquitetura” (na verdade, agricultura)
A semelhanças dos três povos eram que ambos eram monoteístas e também gostavam de guerra. “Os Fenícios eram mais calmos.”
Os fenícios eram submarinheiros … eram industrializadores.”
O povo egípcio tinha uma cultura muito respeitada, principalmente pelo fato da rainha cleópatra ser uma mulher muito bonita (resposta rídícula)”(observação do próprio autor).
Acreditavam em vida após a morte, por isso mumificavam seus deuses”.
Os hebreus tinha a agricultura agrária e pastoril.”
Na mesopotâmica antiga a sociedade humana viviam bem, alguns nem tanto, por falta de empregos e eram muito religiosos acreditavam em seu deus...”
Sua economia era bastante normal para eles e para o tempo em que viviam”.
Os homens não tinham uma economia serta, mas tinham muitos aspéquitos.”
Foi uma época em que foram 'descobertos' os matemáticos … os mesopotâmicos eram de religião islâmica … a religião egípcia é a muçulmana.”
Os mesopotâmicos eram polígamos e de raça negra .”
A religião eles acreditavam em vários Deuses que podia ressucitar a pessoa.”
Os aspectos religiosos deles era que pra eles os melhores deuses eram ira, rá e isis, culturais eglíficos, fabricação de pirâmides”.
Sua econômia tem o modo de trocas de alimentos e objetos que não continham.”
Eles acreditavam em deuses da meteorologia e eles mumificavam os faraós para passar pro outro lado.”
Eles viviam dividido entre 2 rios, o rio Tigre e o Rio Nilo. Tinham por sua própria escolha sua religião. Era uma sociedade civilizada e estava sempre por dentro dos acontecimentos”.
Ambos acreditavam em deuses que atravez deles acontece os desenhos ambientais.”
Acreditavam em deuses na astrologia.”
A sociedade mesopotâmica era muito rigorosa. Não existiam escravos, mas sim ajudantes por vontade própria.”

Palavras curiosas: Imbarcassoems, seramica, ficssar, coizas, deuz, paleolípitico, neolípitico, uzavam, casça, mesopotonicos,

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Crescimento

 por Lawrence David

Foi muito bom, quando eu me imaginava um professor, durante a faculdade. Eu era feliz em preparar materiais didáticos que um dia dariam as informações corretas aos meus alunos, levando um ponto-de-vista mais ou menos equilibrado e moderno de minha disciplina à sua presença. Oh, quanta coisa guardei pra mostrar depois, pra fazê-los saber o quanto o conhecimento é importante, o quanto a sociedade é injusta e tudo o mais. Até passar no concurso do estado eu era esse idealista convicto, em sua inabalável missão de construir o futuro por suas lições de sabedoria e abnegação no caminho do saber.
Meu primeiro ano de aula para o ensino médio foi pela manhã. Tcharam! Finalmente, minha primeira aventura como efetivo, meu emprego de mestre. Acho que naquela época eu conseguia fazer bem o que queria e desejava naquele momento. Me lembro de meu primeiro conselho de classe. Fiquei apavorado com o que meus colegas diziam dos alunos. Mas aquilo não era nada do que eu pensava sobre eles! Adjetivos de tom pessoal é o que predominava. “É um idiota, burro, ignorante”, daí pra fora. E eu, defensor dos frascos e comprimidos, já me indispus com os meus colegas ali mesmo. Depois me fiz de assustado e recuei.
Conhecendo melhor meus alunos fui percebendo suas sutilezas de personalidade e vi que a juventude em 2000, não era fácil. Gente um tanto metida ali na Zona Sul. Os alunos podiam tudo e os professores usando seu poder de vida e morte pra se proteger. O SOE não funcionava porque estava calcado no moralismo repressor e policialesco e não no diálogo. Mas eu, me salvava no meio daquilo tudo, porque minha aliança era com a gurizada. Então me protegia, enfrentando meus colegas, tentando romper os limites tradicionais da educação. Afinal, em geral, a pedagogia predominante ainda era a diretiva-bancária-seletiva.
Eu era do contra mesmo. Mas aquela lufada de ar fresco dos que entraram em 2000, transformou as coisas. Elegeram-se direções mais democráticas com a paridade dos votos entre comunidade, funcionários e professores. E aí houve uma grande transformação. Mais plurais, mais representativos da sociedade civil, esses novos núcleos diretivos deram impulso a um processo de atualização relativo à LDB, que, com todos os seus defeitos e limitações, representou, de fato, um avanço. Onde não houve grande alteração por renovação, o foi por influência da realidade, que galopava prenhe de inovações, algumas até profundas.
Surfando nessa onda encontrei meu caminho, e minhas aulas entre 2003 e 2007 chegaram em um nível, em minha concepção, bastante satisfatório. Por ver meus alunos profundamente envolvidos naquilo que eu propunha, pelas inúmeras vezes em que fui conselheiro de uma turma, pelo apoio demonstrado publicamente nos Conselhos de classe que agora eram participativos, pela amizade que ficou até hoje com muitos, pelas festas que jamais esqueceremos, pelas atividades de teatro, música e reflexão que sempre davam o que falar, tudo ficou muito legal. Eu creio que cheguei no primeiro rubicão de um professor. A mocidade madura me fez muito feliz, mas …
Veio a época das vacas magras. Do corte em cima da educação, da ameaça e do medo. Mudou pra pior. Meu salário foi achatado. Cansei de trabalhar 60 horas por semana (e ainda aos sábados). Chega! Perdi a paciência com os (pobres!) alunos. A verdade é que hoje me parecem bem mais agitados e falantes que há onze anos atrás. São mais dispersos, egoístas, respondões e não largam aquele maldito celular! Os professores evoluíram, apesar de tudo. Meus amigos me parecem mais confiantes, apesar de todas as agruras e sofrimentos, inseguranças dos últimos anos.
A escola brasileira mudou, de uma certa forma. Não sei se foi pra melhor. Hoje está todo mundo lá é verdade. Misturaram-se ricos e pobres, brancos e negros, mais do que em qualquer outra época da história. Essa diversidade é ótima. Mas e o preparo pra isso? Não houve. Não sabemos muito bem lidar com isso. Nem com a inquietude do povo jovem. Nem com o pansexualismo. Nem com bullying. Nem com os alunos inclusos. E eu fui perdendo a paciência e a esperança e me sentindo cada vez mais cansado e impotente diante da situação, e adoeci.
Não sei exatamente que tipo de mal me afetou. No meu caso tem a ver, principalmente com poluição sonora. Aquela gente falando, falando, falando o tempo todo sem parar e eu tendo que gritar pra controlar tudo aquilo. E eu não gosto de gritar enfurecido como fico. Há muita falta de respeito a nós ainda, e de todos os lados. Então eu surtei. É bem verdade, apenas duas ou três vezes, mais fiquei muito nervoso mesmo, como nunca achei que ficaria fazendo algo que sempre amei fazer. Pela primeira vez em 10 anos entrei em licença (só 13 dias), iniciei um tratamento à base de homeopatia incluindo um antidepressivo, e terminei 2010 meio instável ainda. Me estressei em momentos finais também. Andava com protetores auriculares e óculos escuros pra evitar claridade e barulho (e ainda uso, às vezes), mas sobrevivi.
Agora estou bem. Creio que toda pessoa normal e saudável como eu tem que passar por isso para repensar sua prática e recuperar a autoconfiança. Se abalar e cair para se reconstruir. Vejo gente que diz que sempre foi perfeitinho e equilibradinho cometendo atrocidades por aí. Vejo o despreparo de meus colegas pra lidar com esse novo mundo e estou mais solidário a eles do que antes, exatamente porque experienciei o sofrimento do mestre. Não é fácil essa nossa profissão. Somos humanos, falíveis e não devemos nos envergonhar disso. Se hoje já conseguimos todos pedirmos desculpas e nos tratarmos como iguais é porque passamos, juntos, por uma laboriosa fase de crescimento.   

domingo, 1 de maio de 2011

Fundamental

Ah, a pureza da antiga quinta série. O 6º Ano ficou difícil ultimamente. Não chegam com leitura boa e nem facilidade de conversar sobre a matéria. Têm medo de tudo. São carentes. Precisam de um pai (mãe) que lhes ensine tudo, escrever, opinar, pensar, refletir, observar, são tão verdinhos e sem experiência. Tudo é uma curiosidade, tudo é novo até que a lentidão deixa de ser tolerada. Falta de atenção e interesse também. Então os travamos. Paramos para que desçam do carro do desespero para a realidade. Nem sempre a reprovação é justa ou resolve. Algum sabidinho educadinho se salva no meio do caminho. Não devemos duvidar da capacidade que as criancinhas tem de se adaptar! E muitos deles passam?!
Na 6ª (7º ano) se acalmam. Se chegaram até aqui é porque são inteligentes. Dedicados sobreviventes aprenderam a enganar o tempo muito bem. Brincam, descobrem, sorriem, buscam inovar, sem perder o rumo. Pra quem foi de raspão aqui é um novo (grande) risco de se perder. Cuidado! A surpresa e o engano espreitam a cada esquina. Mas admiração e pureza ainda se encontram por aí, apesar das tentações. Se as tentações vencem, tudo pode estar irremediavelmente perdido. Ma sempre resta uma esperança quando se ainda é criança.
Na 7ª é o “The Top”. Rubicão da primeira intelectualidade e deveremos ter controle total da turma nessa altura. Se é o contrário, grandes tristezas, stresses e lamentos, que podem até ser construtivos pra próxima etapa. Mas se está na mão é o paraíso! Vamos, meus pupilos, aprender é bom! Devemos nos esforçar pra sermos críticos, sabermos nos comportar vida afora e sermos adultos. Abre o olho, companheiro. O inimigo está em cada canto, esperando pra atacar quando a gente menos espera. Agora é a hora de juntar nosso montinho de conhecimento pra sair vida afora rico … e sábio, ao menos.
8ª. Cuidado, no final, tudo pode mudar, há há há há ha, o inimigo está aqui. Falsa maturidade, perigo da nação. É de pequenino que se torce o pepino. Não te enganes. Não há nada pior do que ser adulto. Mas chega uma hora em que não se pode mais ser criança e o preço é caro. A coisa toda está acabando. Atrás de que máscara vou me esconder agora? Quem sou eu? Para onde estou indo? Eu não posso mais só brincar. A hora é agora. Ponham o dedo aqui aqueles que querem se tornar maduros e felizes. Que querem achar um lugar ao sol pra viver até a velhice tranquila. Acho que, no fundo, todo mundo quer isso. Então trabalhemos. Mesmo que pareça difícil e custoso largar toda essa mordomia. Era hora de se ajeitar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Amedrontado

No dia seguinte à tragédia carioca de realengo senti receio de ir dar aula. Já não vem sendo dos melhores meus últimos tempos como mestre. A inquietude no meio de meus pupilos está cada vez maior. Semana passada as goleiras de futebol de salão foram jogadas em frente à minha porta e tivemos que esperar a polícia chegar e registrar a ocorrência para iniciarmos nossas aulas pela manhã. Os livros e objetos de uma colega foram atirados ao chão, alguns quebrados. Tudo ocorreu pela madrugada quando não há segurança nem vigia. Foi só pular o frágil e baixo muro e … arrombar as portas, arrancar grades cimentos e completar o quadro de estragos. Na outra manhã nossas fechaduras foram entupidas para não conseguirmos entrar, e assim se vai.
Ano passado, algum jovem idiota, publicou através de um orkut hackeado, impropérios contra a minha pessoa. Provavelmente o mesmo imbecil foi lá no meu blog e mandou eu me f.. Ora, isso está virando rotina. Como pode virar rotina a situação fluminense. O assassino inspirou-se em outros acontecidos semelhantes como mostram as cartas deixadas á polícia. Acontecimentos como esse vão se espalhar. E o Bullying vai acabar? Tem, de fato, como controlar? Uma lei basta pra impedir? Na UFRGS os trotes violentos continuam, eventualmente alguém se enfurece e comete loucuras, um bixo rebelde é humilhado até quase a morte ou sérios danos físicos, e acabou? Não, não acabou.
Comoção, esprememos nossos sentimentos, na assembléia do Cpers, sexta-feira fez-se um minuto de silêncio, aliás absoluto, nem suspiros se ouviam. Foi emocionante, estamos todos de parabéns, mas o que faremos concretamente? 10% de aumento não vai melhorar significativamente nossas vidas o suficiente para aliviarmos nossa tensão que eventualmente tensiona nossas crianças. 60 horas de jornada nos faz dizermos besteiras e tomarmos atitudes provavelmente exageradas para com os impertinentes. Mais problemas, parece que vai melhorar? Não vejo luz no fim do túnel.
A educação brasileira vem melhorando, é o que diz o IDEB. Não vem, sabemos, vem piorando. Temos um monte de projetinhos do governo federal, nos mandam revistas e bons materiais, mas a vida do mestre continua muito difícil. Acho que o número de estudantes que gostam de ler e estudar, que têm uma educação mínima e satisfatória proporcionada pelos pais, pelo menos no RS vem caindo, vertiginosamente. Estamos diante de uma geração problema. Alienados, letárgicos, consumistas, mal alimentados (salgadinho e refrigerante), revoltados, hedonistas e egômanos, cada vez mais.
É muito pouco o que vem sendo feito pra melhorar de fato a educação. Ao invés da aproximação e da integração, a distância e o medo, é o que nos resta. Não mais podemos sonhar com um futuro próximo melhor para nossa vida. Aqui no sul governo e sindicato se uniram pra nos dar o que quiserem, de acordo com seus planos políticos pré-agendados e sacramentados na burocracia do partido e, é claro, com a permissão dos empresários. Os mesmos que implementaram e defendiam piso nacional já quando oposição, agora pedem um (longo) prazo para implementá-lo enquanto governo. “Não temos dinheiro”, dizem. Já ouvi isso antes.
Eu creio que jamais, no discurso de um político, haverá grana suficiente para reformar satisfatoriamente a nossa pobre educação, insuficiente educação, medíocre educação. Está nos planos do Brasil ser respeitado lá fora e se integrar na globalização econômica. Não está nos planos investir pesado na educação, nem acabar com problemas prementes como a violência nas escolas e a péssima remuneração dos professores, que não têm direito sequer ao piso que o próprio estado elaborou. Teremos que esperar. Há, sem dúvida, muita comoção, mas pouquíssima ação. E meu medo é que essa atitude revolucionária tão necessária, não chegue nunca.
Vem se noticiando que há vagas no mercado, mas não há mão-de-obra qualificada. O pior não é dito. Que espécie de intelectuais criarão a tecnologia que levará nosso país ao primeiro mundo, se essa galera se emburrece com o superficialismo do dia-a-dia, com o quanto pior melhor, com o preconceito contra o aprender? A legitimação da violência como forma de resolução de problemas fecha a questão no que tange ao que podemos esperar. Tirinhos e mais tirinhos solucionarão tudo, e que aumente a venda de armas pro cidadão se defender.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Feliz 2011!

Desejo a Todos os que por aqui passam um Feliz Ano Novo, Vida Longa e Próspera!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ENEM


Há 30 anos atrás o vestibular parecia condenado. Enquanto vivíamos o fim da ditadura e lutávamos por uma sociedade mais justa e igualitária, discutíamos como aquele governo podia ter se vendido tanto à ideologia norte-americana. Era possível, apesar de todos pagarem a conta, que só alguns privilegiados tivessem acesso à Universidade Pública? E os sistemas de avaliação, copiados da cartilha yankee que reproduziam a velha competitividade protestante-capitalista? Com o passar do tempo passamos a chamá-las de “questões do tipo objetiva” (falsa objetividade, por trás do enunciado e das alternativas, está a escolha do examinador).
Quando prestei a seleção pra UFRGS pela primeira vez, em 1985, o modelo “objetivo” estava predestinado a desaparecer e nos anos seguintes surgiram as questões discursivas no exame da Federal. Elas eram bem interessantes e, como exigiam a escrita, habilidade fundamental ao estudante, a seleção era melhor. Mas o Sistema não deu certo. Levava ainda mais tempo do que hoje pra corrigir as provas. O estado falido da Nova República sucateava as Universidades públicas. O retrocesso ao modelo antigo (pseudo) objetivista chegou pra ficar.
Ninguém podia imaginar que tempos bicudos viriam. A era FHC. O neoliberalismo globalizante bateu feio, e os mecanismos de responsabilização das classes menos favorecidas apareceram, mais uma vez, importadas do Tio Sam. A culpa não era do estado, que diminuía, murchava ao som de uma valsa triste, e ignorava as áreas sociais. Era dos funcionários públicos e, principalmente, dos professores. Eles eram os responsáveis pelos problemas de evasão, desistência e repetência que assolavam a educação do país desde sempre.
Sua ignorância, incompetência e corporativismo desenfreados tinham criado tudo aquilo. Aquela situação vexaminosa era nossa culpa desde sempre, para sempre. Então vamos medir isso. Medir? Alguém pode medir, de uma maneira mecânica, (pseudo) objetiva, ignorando as particularidades das culturas regionais, de uma forma unificada no país inteiro, contrariando as determinação da carta maior que é a LDB, o que os estudantes andam aprendendo? Isso é o ENEM, Essa tentativa de realizar um feito irrealizável, que é ainda mais injusto que o Vestibular por ignorar as diferenças.
Vi meio de fora essa discussão recente sobre o fim do Exame. Ele se tornou algo que nunca era pra ser. Eu sempre fui contra, mas aí vi os donos dos cursinhos pré-vestibulares defendendo o fim da prova porque o ENEM vem tomando o espaço deles desde que se criou o pró-uni. Há, há! O governo constrangeu as universidades a aceitarem o exame como critério de avaliação pra ingresso nas instituições. Os adolescentes de todo o país se voltaram ao fenômeno, a coisa toda cresceu até se tornar o monstrinho que está hoje …
Sempre achei e sempre acharei que o acesso a universidade é um direito de todos. Ninguém que contribua com impostos tem menos direito. Se não tem lugar pra todos, por que não sortear? (Ah, pode ser que tenha fraude no sorteio …) Ou será que o João da Silva, negro e que nasceu pobre e teve uma educação de baixa qualidade tem menos direito que o Maximiliano que estudou nas melhores escolas particulares? Os dois pagam o mesmo imposto proporcional à renda, imbutido na cesta básica, sacramentada pela propina nossa de cada dia … então os direitos são iguais. Sorteia.
Ou faz melhor: aumenta o salário dos professores, diminui a carga horária, bota todo mundo num mestrado ou doutorado, reduz os dias letivos, faz uma formação continuada e coloca os alunos nas universidades com as notas deles no Ensino Médio. Afinal, pra que serve o ensino Médio? Teria ele se tornado (pretensa mas infundadamente) um grande cursão pré-vestibular? Atentando pra impossibilidade de realizar tal tarefa, as particulares criaram o “terceirão”. Vamos fingir que estamos fazendo o que é impossível?
Enquanto debatemos sem respostas e sem certezas a inespecificidade do que estamos ensinando, os ricos galgam posições preparando melhor seus filhos em boas escolas pagas e adotando a educação integral. O que é público corre atrás disso tudo com as pseudo-avaliações ditando direções errôneas, competitivas e pouco solidárias, e só onde o Brasil não avança muito e profundamente, é na educação. Eu, continuo com minha incredulidade agnóstica.    Fotografia by Inezita Cunha